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Os desafios do envelhecimento populacional
Zilá Breitenbach * | PSDB - 09:57 - 06/10/2011
O mês em que se comemora o Dia Internacional e Nacional do Idoso é propício para refletirmos os avanços nos direitos e os desafios impostos pelo surgimento do Estatuto do Idoso. O momento também é oportuno para analisar a realidade vivida por esse segmento.

O Brasil precisa se preparar para o crescente envelhecimento populacional. O IBGE informa que a população brasileira vai crescer a uma taxa média de 0,3% ao ano nas próximas quatro décadas. Enquanto isso, a de idosos crescerá 3,2%. A previsão é de que a população idosa, que representava 11% da população em idade ativa em 2005, passará para 49% em 2050, enquanto que a população em idade escolar diminuirá de 50% para 29% neste mesmo período. O Brasil terá 64 milhões de idosos em 2050, representando 29,7% da população.
 
Conforme o Censo Demográfico 2010, no Rio Grande do Sul, o envelhecimento tem se apresentado mais acelerado se comparado a outras localidades do país e do mundo, decorrente da queda da fecundidade e do aumento da expectativa de vida. Na década de 70, a média de filhos por família era de seis. Hoje caiu para a metade, mudando consideravelmente a pirâmide etária. O nosso Estado tem o maior percentual de pessoas com 65 anos ou mais entre os estados brasileiros (9,3%). O RS apresenta uma proporção de 20,8% idosos para cada 100 pessoas potencialmente ativas, ou seja, aproveita o chamado bônus demográfico, fenômeno caracterizado pelo fato de a força de trabalho ser muito maior que a população dependente. Movimento esse que não deverá se estender por muitas décadas, talvez até 2030. Essa realidade deve ser levada em conta na implementação das políticas públicas.

Com a emergência da população idosa, a precariedade nos serviços de saúde tende a se agravar, pois os idosos consomem mais serviços de saúde e  internações hospitalares. O Governo precisa ser criativo, propondo alternativas mais eficientes e adequadas pois há razões para preocupações também quanto aos impactos sociais e econômicos dessa tendência sobre as finanças públicas. Mantidas as regras atuais, os custos com as aposentadoras certamente podem levar a grandes desequilíbrios orçamentários, com conseqüências típicas, como aumento de taxas de juros, de impostos, gerando problemas para a economia.
 
Desde a publicação do Estatuto do Idoso, percebe-se avanços nos direitos dos idosos, mas ainda temos muito a evoluir na questão dos valores, especialmente em relação ao respeito com a pessoa idosa. Infelizmente em função de suas limitações físicas e emocionais, o idoso fica vulnerável à negligência e à violência. Pior ainda, na maioria das vezes causada pelo próprio familiar ao qual está vinculado. Justamente a estrutura familiar, que deveria oferecer segurança, afeto e atenção ao idoso.
Entendo que para comemorarmos avanços efetivos, necessitamos de uma política integrada de promoção de direitos e valores dos idosos. Não basta termos uma legislação específica publicada. As diversas áreas previstas no Estatuto do Idoso, como a educação, saúde, assistência social, segurança e transportes, devem desenvolver ações de forma transversal, e esta interligação deve ultrapassar o previsto no Estatuto. Necessitamos melhorar a acessibilidade, os asilos e o convívio familiar e social. Além de melhorar a renda, para que possam ter uma vida digna, compatível com essa fase da vida que demanda muitos gastos, especialmente com medicamentos.

A sociedade que discrimina a pessoa idosa, está desrespeitando sua própria história. Quando falamos da pessoa idosa, estamos falando de nós mesmos, já que o envelhecimento é inerente ao ser humano. Por isso, entendo que a sociedade que contribui com os direitos das pessoas idosas está contribuindo com o próprio futuro!
 
 
* Deputada estadual (PSDB)                                                        
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