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COMISSÃO DE SAÚDE
Secretária Leany: “Não é uma flexibilização, não é abertura, é uma convivência com a pandemia”
Marinella Peruzzo - MTE 8764 | Agência de Notícias - 18:52 - 28/05/2020 - Foto: Reprodução / TV ALRS

A secretária estadual de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Lemos, apresentou na tarde desta quinta-feira (28), em reunião virtual conduzida pela presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, deputada Zilá Breitenbach (PSDB), o modelo de distanciamento controlado adotado pelo governo do Estado para a contenção da Covid-19 e a manutenção da economia. “Não é flexibilização aleatória, não é abertura desordenada, não é volta à normalidade”, afirmou a secretária. “É uma convivência com a pandemia”, frisou.

Antes da apresentação, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo (PP), elogiou o trabalho exaustivo desenvolvido, de forma responsável e equilibrada, que tem possibilitado à sociedade, segundo ele, avançar com toda a segurança que o momento requer. “Conforme o tempo vai passando, o estresse vai aumentando”, reconheceu o presidente. “É uma situação de angústia que exige muito bom senso”.

O líder do governo na Assembleia, deputado Frederico Antunes (PP), saudou a secretária e toda sua equipe pelo esforço diário de buscar formas de atravessar “esta sanga da epidemia”, em especial aqueles que se debruçam sobre dados estatísticos trazendo informações essenciais para o planejamento estratégico e a integração das diversas áreas envolvidas.

Leany Lemos abriu sua apresentação agradecendo também à sua equipe e destacando o caráter inovador do trabalho desenvolvido. Disse que o Rio Grande do Sul se tornou referência nacional e que, mesmo no mundo, havia poucos lugares com uma política desenhada de convivência com a pandemia. “Não se conhece um plano com essas características no início de uma pandemia”, afirmou. Segundo ela, o desenrolar mais lento da Covid no estado decorreu de decisões tomadas logo no início e lhes deu tempo para expandir a capacidade de leitos e atenção à saúde.

Como pilares do plano, segundo a secretária, estão o foco na vida, o diálogo e a transparência, o monitoramento intensivo, com dados e projeções, o uso de metodologias para segmentar regionalmente e setorialmente saúde e atividade econômica, avançando-se por etapas, e o estabelecimento de protocolos e medidas de engajamento da população. 

A secretária também explicou o sistema de bandeiras, que estabelece uma cor (amarela, laranja, vermelha ou preta) a cada região conforme a gravidade da epidemia a partir de dois critérios principais: a propagação da doença e a capacidade de atendimento do sistema de saúde. Na última semana, por exemplo, três municípios melhoraram seus indicadores e tiveram sua classificação alterada de bandeira laranja para amarela: Uruguaiana, Capão da Canoa e Santa Cruz do Sul.

Após a apresentação da secretária, os deputados presentes pediram esclarecimentos sobre diversos pontos. A presidente da comissão, deputada Zilá Breitenbach (PSDB), questionou acerca do número de leitos de UTI no estado. Zé Nunes (PT)  perguntou sobre a situação dos testes no estado e relatou assunto que o vinha angustiando em seus contatos no interior do estado. Segundo o parlamentar, havia muitos relatos de pessoas que não conseguiam realizar procedimentos eletivos, inclusive para casos graves, como câncer, o que parecia ser corroborado por notícia de que teria ocorrido em março e abril uma redução de 75% nos atendimentos da oncologia.

Gerson Burmann (PDT) elogiou o sistema de bandeiras adotado e questionou em que ponto da curva o estado se encontrava hoje e se havia perspectiva de uma linha de crédito no Banrisul para setores como o dos transportadores escolares. 

Pepe Vargas (PT) parabenizou o esforço do governo do Estado em buscar construir um modelo baseado em evidências, mas apresentou algumas críticas: a opção por uma flexibilização quando a curva de mortes e internações ainda estava em crescimento, a baixa testagem e pouca transparência nos dados e indicadores da saúde. 

Valdeci Oliveira (PT) lembrou a aproximação do inverno e a tendência de as doenças respiratórias aumentarem e questionou se o estado estava se mobilizando para a compra de leitos se isso fosse necessário. Também questionou sobre as testagens e sobre diferença verificada nos casos divulgados pelos municípios em comparação àqueles apresentados pela Secretaria.

Edegar Pretto (PT) saudou a atuação de mulheres, como a secretária, em postos importantes. Ressaltando a crise econômica e as dificuldades enfrentadas por muitos, perguntou sobre a possibilidade de uma linha de crédito especial do Banrisul para as micro, pequenas e médias empresas. Perguntou ainda se estava mantida a intenção de abertura de dez leitos na Região Norte e relatou telefonema recebido de médica do Hospital Ernesto Dornelles, que lhe afirmou que o estabelecimento estava com 90% dos leitos destinados à Covid ocupados e com dificuldade para adquirir equipamentos.

Os deputados Fábio Branco (MDB) e Dr. Thiago Duarte (DEM) parabenizaram a secretária, mas também manifestaram preocupação com as testagens para a Covid. 

Leany Lemos reiterou que o modelo apresentado foi criado "para que se pudesse conviver com a pandemia". Disse que a situação do Rio Grande do Sul era muito diferente da de outros estados brasileiros e que dentro do estado havia também muita variabilidade. Afirmou que a intenção era evitar que houvesse um pico da epidemia e a saturação da capacidade de leitos e que a crise tinha dois impactos enormes, na saúde e nos empregos, e que era no equilíbrio que buscavam trabalhar.

Representando a Secretaria Estadual da Saúde, Bruno Naundorf, disse que a notificação imediata dos óbitos pela doença era compulsória e que havia um procedimento específico para tal. "Não pode ser por rede social", disse. Quanto ao número de leitos de UTI, afirmou que o RS tinha uma rede maior do que muitos outros estados. Antes da pandemia, segundo ele, eram 933 leitos adultos pelo SUS, que foram acrescidos de mais 305, número que será ainda ampliado. Sobre os relatos de descaso com pacientes de outras doenças que não a Covid, disse que a determinação era de prosseguirem os atendimentos, embora muitas pessoas estivessem evitando os hospitais no período. Sobre testes, relatou terem recebido 250 mil testes, já distribuídos para os municípios. Foi solicitado pelo deputado Zé Nunes que a Secretaria encaminhasse esses dados à comissão.

Participaram da reunião ainda os deputados Luís Augusto Lara (PTB), Luiz Henrique Viana (PSDB), Silvana Covatti (PP), Franciane Bayer (PSB) e Vilmar Lourenço (PSL).

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