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Flexibilização de medidas de isolamento é precipitada, diz médico em debate da Comissão de Saúde
Marinella Peruzzo - MTE 8764 | Agência de Notícias - 12:17 - 13/05/2020 - Foto: Reprodução / ALRS

Para o médico Armando De Negri Filho, coordenador-geral da Rede Brasileira de Cooperação em Emergências (RBCE), a flexibilização do distanciamento social, proposta pelo governo estadual, no atual estágio da pandemia, é precipitada e poderá pôr a perder toda a vantagem obtida até o momento. “Frente a um ambiente de alta incerteza, o primeiro mandamento é a precaução”, defendeu De Negri.

A preocupação foi manifestada nesta manhã (13), em videoconferência da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, presidida pela deputada Zilá Breitenbach (PSDB), que teve como pauta a situação da saúde no estado e a atualização de dados sobre a pandemia do coronavírus, a Covid-19. Além do médico, participaram do debate a coordenadora do Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Rio Grande do Sul, Cláudia Regina Mastrascusa Espíndola, e deputados membros da comissão.

Segundo Armando De Negri Filho, o que se observa hoje no estado é um avanço da doença, tanto geograficamente como no número de infectados, e as medidas a serem tomadas devem ser pensadas a longo prazo, dada a possibilidade de novas ondas da doença e a inexistência de uma vacina ou medicamento efetivo.

A seu ver, são cinco as condições necessárias para se iniciar a saída do isolamento: 1) a observação de um período de 14 dias em que se verificasse uma redução contínua dos casos de hospitalizações e óbitos; 2) a garantia por parte do sistema de saúde e de todos os outros aparatos de suporte social de que estaríamos preparados para eventuais flutuações de casos durante as retomadas das atividades; 3) a existência de uma estrutura de testagem adequada para o monitoramento constante dos casos suspeitos e dos trabalhadores em seu retorno às atividades; 4) a capacidade de se realizarem as quarentenas protetoras de forma adequada; e 5) a existência de um sistema de proteção econômica e social às famílias e microempresas em maior risco.

De acordo com o médico, o estado não atende a essas cinco condições, por isso deveria manter o isolamento até que houvesse mais segurança para a retomada gradual das atividades. Ele sustenta que, embora o Rio Grande do Sul não apresente "números dramáticos, talvez", a saturação do sistema pode ser muito rápida, sem que se tenha tempo para uma reversão. Segundo ele, em São Leopoldo, por exemplo, havia dez leitos, dos quais dois ocupados, o que significava 80% de desocupação, ou seja, na realidade, apenas oito leitos desocupados.

O médico ainda observou que a oferta hospitalar no Rio Grande do Sul é historicamente deficiente, com em torno de um leito a cada mil habitantes, quando o ideal seria de três a quatro leitos, e lembrou que, nos próximos meses, devem se intensificar os quadros de infecções respiratórias com a chegada do inverno.

A coordenadora do Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Rio Grande do Sul, Cláudia Regina Mastrascusa Espíndola, também manifestou preocupação com a flexibilização das medidas de isolamento social, especialmente com a aproximação dos dias mais frios, e com a situação dos profissionais da saúde. Disse que no Rio Grande do Sul foram registrados 517 infectados e uma morte no setor, enquanto que no país o número era de 108 óbitos. Explicou que foram todos pegos de surpresa e não estavam preparados para uma atuação de forma segura, o que fez com que muitos profissionais se contaminassem, e defendeu que a única forma de conter a disseminação do vírus era reduzindo a circulação das pessoas.

Proposta para bancada federal e medidas na AL

Ao término das manifestações, o deputado Pepe Vargas (PT), autor do convite para que o médico Armando De Negri participasse do encontro, propôs que a comissão entrasse em contato com a bancada federal gaúcha para uma discussão com o Ministério da Saúde quanto à abertura de leitos, entre outros assuntos. Já a presidente da comissão, deputada Zilá Breitenbach (PSDB), comunicou ter sido assinado ontem (12) um protocolo na Casa prevendo a criação de um grupo de trabalho para a tomada de ações relacionadas ao enfrentamento ao coronavírus.

Presenças

Participaram da reunião a presidente da comissão, Zilá Breitenbach (PSDB), e os deputados Pepe Vargas (PT),Thiago Duarte (DEM), Gerson Burmann (PDT), Valdeci Oliveira (PT), Franciane Bayer (PSB), Fran Somensi (Republicanos), Vilmar Lourenço (PSL), Fábio Branco (MDB), Frederico Antunes (PP), Edegar Preto (PT), Silvana Covatti (PP), Zé Nunes (PT), Fernando Marroni (PT) e Dirceu Franciscon (PTB).

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