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COMISSÕES
Deputados questionam reitor da UFPEL sobre pesquisa da COVID-19 no RS
Francis Maia - MTE 5130 | Agência de Notícias - 12:34 - 29/04/2020 - Foto: Reprodução / ALRS
Reitor da UFPel Pedro Hallal, em videoconferência nesta manhã
Reitor da UFPel Pedro Hallal, em videoconferência nesta manhã

Pouco antes de revelar ao governo do Estado os resultados da segunda etapa da pesquisa epidemiológica sobre a Covid-19 realizada no RS pela Universidade Federal de Pelotas, o reitor Pedro Rodrigues Curi Hallal reiterou à Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia, em videoconferência na manhã desta quarta-feira (29), o posicionamento da comunidade científica em favor do isolamento social como arma eficaz para enfrentar a letalidade do vírus. Segundo ele, os resultados positivos obtidos até agora no RS, apesar das 50 mortes, refletem o acerto do isolamento social três semanas antes da decisão em padrão nacional, mas a orientação dos cientistas é pela continuidade desse procedimento, com reforço no uso de máscaras e higiene sanitária. "Liberar agora pode ser um erro", advertiu.

Na reunião virtual, conduzida pela presidente da comissão, deputada Zilá Breitenbach (PSDB), os deputados questionaram Hallal, em especial sobre a manutenção do isolamento social, os riscos do afrouxamento dessa medida e a obrigatoriedade do uso de máscaras em espaços públicos. Logo em seguida, o presidente da Federação Sindicato dos Servidores Públicos no Estado do RS (FESSERGS), Milton Kempfer, encaminhou demandas urgentes dos trabalhadores da saúde.

Hallal explicou o trabalho do grupo de epidemiologistas, que desde a década de 80 vem pesquisando nas ruas, em visitas nas casas e fazendo entrevistas. A pesquisa sobre a Covid-19 alcança nove regiões intermediárias do RS, selecionadas com base no IBGE, para amostragens da população e estimativa do padrão de presença do vírus. A partir de uma cidade sentinela em cada uma das nove regiões os pesquisadores foram apurar o comportamento do coronavírus, tendo iniciado a primeira etapa no feriado da Páscoa, e a segunda fase foi realizada no último final de semana, resultado que será divulgado agora.

“A pesquisa vai dar a estimativa da população com anticorpos, a velocidade que se espalha pelo RS e Brasil e mais precisão da letalidade”, adiantou o reitor da UFPEL, como a previsão do número de óbitos e o total de infectados que não apresentaram sintomas ou apenas sintomas leves, os assintomáticos. Pedro Hallal ressaltou aos deputados a independência da pesquisa das decisões dos gestores públicos, explicando que a orientação científica, desde o início, foi no sentido do distanciamento social e da sua manutenção há duas semanas, quando houve afrouxamento através de decreto estadual e também nos municípios. “Não era momento de relaxamento nas medidas de distanciamento social”, reafirmou, mas orientação para o trabalho em algumas regiões com mudanças. Apontou a liberação em alguns municípios como “um erro” diante da ideia de contenção do avanço do vírus. 

Outras duas etapas da pesquisa terão continuidade nas próximas semanas, avisou. Além do RS, essa metodologia será aplicada também no país, em 133 cidades de todo os estados da federação, conforme solicitação do Ministério da Saúde. Ele adiantou que grupo de biotecnologia da UFPEL trabalha em vacinas similares à BCG.

Contrário ao recuo agora do isolamento social, o deputado Pedro Pereira (PSDB) indagou a respeito da obrigatoriedade do uso de máscaras pela população, como forma de proteção pessoal e também coletiva. Hallal ponderou que as máscaras reduzem o risco de contágio, mas alertou que não podem gerar confusão na população e significar o alívio do distanciamento social, a máscara “não reduz 100%  o risco de infecção”, frisou o reitor, reiterando que se trata de medida necessária ao sair de casa. De sua parte, o deputado Pepe Vargas (PT) questionou a respeito do modelo de distanciamento social controlado em exame pelo governo do Estado, ponderando que “para afrouxar o distanciamento social é preciso redução de casos, mas, como a curva é ascendente, é temerário abrandar o distanciamento social”. Qualquer medida deve oferecer à população plano de contingência com prazos e metas e introduzir a testagem, especialmente dos trabalhadores da saúde, defendeu. O líder do governo, Frederico Antunes (PP), pediu uma projeção do estágio da pandemia no RS. Fernando Marroni (PT) também manifestou preocupação com a hipótese de abandono do distanciamento social.

 O reitor da UFPEL avalia de forma positiva a atuação do Ministério da Saúde na contenção da Covid-19, mas é negativa na testagem. Também alertou os deputados quanto aos leitos hospitalares. Disse que neste momento é preciso somar a rede pública e a privada. E explicou que as epidemias têm componente de distribuição geográfica difícil de prever, podendo o RS estar no estágio inicial “e o pior estar por vir” e, de outra parte, a hipótese de que a pandemia “não vai pegar”, opção com a qual ele não está trabalhando, mas existe a possibilidade de que o cenário não seja tão ruim, apesar das quase 50 mortes já registradas. Outra ponderação foi no sentido de que a pesquisa nas nove regiões não alcança as pequenas cidades.

Valdeci Oliveira (PT) registrou a abertura de 30 leitos do Hospital Regional de Santa Maria, esta semana, espaço que poderá se transformar em referência e retaguarda neste momento de avanço da contaminação no interior. Dr. Thiago Duarte (DEM) alertou para a falta de empatia, neste momento grave, com os profissionais de saúde, e defendeu a realização de testes como medida preventiva para o retorno à normalidade. Cobrou transparência da prefeitura de Porto Alegre na aplicação de R$ 64 milhões repassados pelo governo do Estado.

Fragilidade dos trabalhadores da saúde

O presidente FESSERGS, Milton Kempfer, fez uma radiografia da situação dos trabalhadores em saúde no RS, relatando a fragilidade desse grupo diante da pandemia, com denúncias de falta de equipamentos apropriados, desrespeito aos grupos de risco, dificuldades salariais e precariedade para tratar de contratos de trabalho diante das medidas governamentais que alteraram essa dinâmica. Apontou problemas na Santa Casa de Pelotas, relacionado ao cemitério. Kempfer deverá encaminhar à comissão um relatório detalhado da situação dos trabalhadores em saúde para averiguação, pelos parlamentares, junto aos administradores hospitalares. No RS, uma profissional de saúde morreu e somam 30 outros agentes mortos na pandemia.

A deputada Zilá Breitenbach informou que a comissão está acompanhando a portaria a ser editada pela Secretaria de Saúde a respeito de medidas nos frigoríficos. E informou que além das demandas encaminhadas pelo dirigente da FEESSERGS sobre a situação dos trabalhadores em saúde, deverá ouvir também o Conselho Federal de Enfermagem.

Participaram da videoconferência os deputados Pedro Pereira (PSDB), Gerson Burmann (PDT), Jeferson Fernandes (PT), Edegar Pretto (PT), Valdeci Oliveira (PT), Dr. Thiago Duarte (DEM), Silvana Covatti (PP) e Fran Somensi (Republicanos).

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Versão de Impressão
Comissão de Saúde e Meio Ambiente, reunião virtual. Apresentação dos estudos realizados pela UFPel relacionados à Covid 19

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