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Dep. Manuela d'Ávila
GRANDE EXPEDIENTE
Manuela aborda legado de Maio de 68, movimento cujo início completa 50 anos hoje
Olga Arnt - MTE 14323 - 16:25 - 02/05/2018 - Foto: Marcelo Bertani
Deputada Manuela d´Ávila durante Grande Expediente desta quarta-feira
Deputada Manuela d´Ávila durante Grande Expediente desta quarta-feira
A deputada Manuela d Ávila (PCdoB) ocupou o período do Grande Expediente da sessão plenária desta quarta-feira (2) para falar sobre Maio de 68, cujo ideário inspirou a juventude no mundo inteiro. Além de analisar aspectos políticos, sociais e culturais do movimento que eclodiu na França há 50 anos, a comunista traçou um panorama da realidade brasileira atual, pontuando os aspectos comuns entre os dois momentos históricos. “Poderia falar sobre a vergonhosa venda das ações do Banrisul, sobre o significado do 1º de Maio no Brasil, sobre o fim da CLT, sobre o fato de um milhão de famílias brasileiras terem deixado de usar o gás de cozinha pois não têm condições de pagar por ele, mas optei por buscar inspiração no Maio de 68 para continuar a luta por justiça, igualdade e liberdade”, justificou a parlamentar no início de manifestação na tribuna.

Manuela lembrou que a onda de protestos iniciou com uma ocupação de estudantes das Universidades de Sorbonne e da Nanterre contra a burocracia educacional e se transformou, em poucos dias, numa greve geral, que paralisou milhões de franceses contra o governo do general Charles de Gaulle. “Os estudantes ocuparam a Sorbonne e a transformaram em Universidade Crítica. A polícia invadiu as instalações e realizou mais de 600 prisões. Com a Sorbonne fechada, os protestos ganharam as ruas. Barricadas foram levantadas e mais de 500 mil pessoas percorreram as ruas de Paris. Poucos dias depois, estudantes e trabalhadores se uniram contra a política trabalhista e educacional do governo do general De Gaulle. O movimento se ampliou ainda mais com a decretação de uma greve que paralisou 10 milhões de operários”, rememorou.

Mesmo reconhecendo que historiadores ainda dimensionam a amplitude daqueles acontecimentos, Manuela sustentou que o movimento repercutiu no mundo inteiro de formas variadas e em graus de intensidade diferentes. No Brasil, segundo a parlamentar, o fenômeno acabou sendo canalizado para a luta contra a ditadura militar, “que era a expressão da Guerra Fria por aqui”. “Na América Latina, as manifestações se deram contra governos repressores. No México, estudantes protestaram e foram vítimas de um massacre dez dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos.
Nos Estados Unidos, cresciam as tensões raciais, após o assassinato do ativista Martin Luther King, e as lutas pelos direitos da população LGBT e contra a Guerra do Vietnã”, lembrou.

Ela ressaltou ainda que o corpo e a sexualidade ganharam centralidade na agenda política do movimento, que pautou questões como direitos reprodutivos e igualdade de gênero. “Passados 50 anos, ainda estamos discutindo isso aqui. Mas há explicação para isso. Na França, há cinco décadas, as mulheres foram às ruas lutar pelo direito ao aborto. No Brasil, elas estavam presas pela ditadura”, comparou.

Retrocesso
Manuela afirmou que, embora 1968 tenha sido o ano que redefiniu a sociedade, a política, o comportamento e a juventude,  o ambiente de conservadorismo e os retrocessos no Brasil e no mundo atualizam o legado do movimento. “Os problemas, as ideias e transformações que se pediam naquele ano se tornam mais atuais ainda com esse avanço do conservadorismo que cresce como erva daninha, revelando-se no comportamento de extremistas, nos atentados contra igualdades, nos manifestos a favor da desigualdade extrema e contra os direitos humanos”, elencou. 

Ao defender uma “grande mobilização pela liberdade da Nação e pelas liberdades dos brasileiros”, a parlamentar sugeriu que a intensa movimentação popular no Brasil atual seria “o Maio remontado e mais vivo do que nunca”. “A situação dramática a que chegamos – a ilegitimidade do atual governo, suas medidas antipopulares, seu atrelamento ao rentismo e ao capital estrangeiro e seus vínculos cada vez mais óbvios com a corrupção – provoca uma movimentação popular intensa que grita por uma mudança profunda e imediata. Não seria o maio remontado? O maio da revolução mais vivo do que nunca?”, questionou.

A principal herança do movimento, na avaliação da deputada, foi a mudança na maneira de pensar que provocou. “Foi um tempo que incomodou a muitos. Um tempo inspirador de sonhos possíveis. Revejo hoje a força dos estudantes e trabalhadores daquela época revolucionária nos inspirando a vencer todo esse retrocesso que se coloca”, apontou.

Homenagem
Manuela aproveitou o Grande Expediente para homenagear Mário Barbará, falecido na madrugada de hoje. Na tribuna, ela citou versos da canção Desgarrados, que consagrou Barbará e seu parceiro de composições Sérgio Napp, lembrando que a música faz alusão à dimensão utópica que impulsionou Maio de 68. “Hoje é um dia triste para a cultura do Rio Grande do Sul. Mas falar sobre a imaginação no poder talvez seja uma forma de homenagear aquele que proclamou que “longe é perto/o que vale é o sonho.”

Os deputados Ciro Simoni (PDT), Tarcísio Zimmermann (PT) e Pedro Ruas também se manifestaram por meio de apartes.

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