Artigo
ARTIGO
Hay Fome”
Frederico Antunes * - 11:24 - 30/06/2008

Nada turbina tanto minha paixão por aquilo que faço quanto perceber a riqueza que nasce da terra. Com efeito, para quem convive com essa realidade, nada se compara ao crescimento de uma lavoura como fonte de progresso e bem estar social. E nada causa tanto entusiasmo quanto observar a prosperidade dos homens e mulheres que iniciam suas jornadas de trabalho antes de o sol despontar, que quebram a geada, que vivem entre as reses e que amassam o barro das lavouras. Eles patrocinam o generoso mistério da vida que se transforma em alimento.

Quero escrever sobre isso porque boa parte da minha própria vida transcorreu no confronto entre essa convicção teórica, essa expectativa, e a realidade prática dos preços vis, manipulados em detrimento da renda daquele que produz. E eis que agora, pela primeira vez, estamos diante de um cenário em que todos os indicativos mostram uma pressão de demanda pelos produtos primários com reflexo na elevação de seus preços.

Os primeiros anos do século XXI trouxeram para a vitrine das utilidades tecnologias como o iPod (modernos players de áudio digital) e o iPhone (que só não faz chover). A gurizada da nova geração incorpora esses equipamentos com extraordinária facilidade e se torna recorrente em seus diálogos a menção a tais aparelhos, bem como a expectativa por mais e mais novidades do mesmo tipo. No entanto, esse mundo da moderna tecnologia, dos "aipods" e dos "aiphones" não se sustenta sem o produto da terra, sem o trabalho dos produtores de alimento. Nesse mundo "hay fome" – a mesma velha e sempre renovada necessidade do alimento diário. E a melhor notícia destes dias não vem das tecnologias digitais, nem das revistas de informática, mas das publicações do agronegócio: a humanidade está comendo mais.

Bom para o Brasil. Bom para o agronegócio gaúcho, bom para os produtores. E, desde logo, inconveniente aos centros consumidores dos países ricos, para cuja prosperidade muito contribuiu o baixo preço pago pelos alimentos que consumiram ao longo de décadas.

Este é um momento para estarmos mais do que atentos. Temos que estar preparados, agindo nos cenários certos, programando investimentos no tempo justo e na direção correta. É um momento para a ação firme do governo, interna e externamente, em defesa dos nossos interesses. É assim que se faz no moderno mundo dos mercados integrados e da informação instantânea. Vejo os anos vindouros como tempos de um progresso que vem do campo e chega ao campo, para fazer do Brasil uma nação próspera com a riqueza que vem da terra.

* Deputado estadual

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